Nos últimos tempos, tenho refletido muito sobre os desafios que enfrentamos no ambiente educacional. Um deles, que se repete em diferentes contextos e níveis de ensino, é a dificuldade de manter os alunos engajados. E, com base nas experiências que tenho acompanhado – seja em sala de aula, em projetos ou conversas com colegas – ficou cada vez mais evidente pra mim que a formação dos professores é uma das estratégias mais potentes para reverter esse cenário.
A gente sabe que o mundo mudou. Os estudantes mudaram. Eles vivem conectados, aprendem de formas diferentes, são mais críticos e exigem um tipo de interação que vai muito além da aula expositiva tradicional. E é aí que entra a formação docente: não como uma obrigação burocrática, mas como uma chave de transformação da experiência de aprendizagem.
O que dizem os dados?
Pra não ficar só no “achismo”, vale olhar os números. Uma meta-análise publicada na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) mostrou que metodologias ativas de aprendizagem – aquelas em que o aluno participa mais ativamente, em vez de apenas escutar – reduzem em 55% a taxa de reprovação em cursos de graduação, especialmente nas áreas de exatas e saúde. Ou seja, quando o professor está preparado para inovar em sala, o impacto é direto no desempenho e no engajamento dos alunos.
Outro dado que me chamou a atenção: durante a pandemia, 41,8% dos professores da educação básica nunca haviam recebido qualquer formação para o uso de tecnologias digitais em sala de aula, segundo a pesquisa TIC Educação (2020). Imagine o susto que foi pra muitos professores terem que se virar de uma hora pra outra com aulas online, plataformas, videochamadas… Isso escancarou algo que a gente já sabia: os professores precisam de apoio e formação contínua, especialmente em tempos de tantas mudanças.
O que tenho percebido na prática
Muita gente ainda acredita que dominar o conteúdo é o suficiente pra ser um bom professor. Mas hoje, mais do que nunca, isso não basta. É preciso saber ensinar, comunicar, incluir, adaptar. É preciso criar espaços de diálogo, de escuta, de construção conjunta. E isso a gente só desenvolve quando tem oportunidade de se formar, de refletir sobre a própria prática, de trocar com outros educadores.
Quando um professor se sente preparado, ele experimenta. E quando ele experimenta, os alunos percebem. Já vi alunos que eram considerados “desinteressados” se transformarem quando a aula mudou de formato, quando puderam participar mais, quando a avaliação deixou de ser só prova e passou a ser projeto, debate, atividade prática. Tudo isso passa pelo preparo de quem ensina.
Formação não é luxo, é investimento
Investir na formação docente não é um luxo, nem um gasto. É investimento na base da educação. É dizer ao professor: “você importa, sua prática faz diferença, e a gente quer caminhar junto com você nessa jornada de crescimento”.
E aqui faço uma provocação às instituições de ensino superior, às secretarias, aos gestores: formação docente não pode ser uma ação isolada, pontual, ou só no início da carreira. Precisa ser uma política institucional contínua, com apoio, incentivo e reconhecimento.
Se quisermos melhorar o engajamento dos alunos – e todos queremos – precisamos começar olhando para quem está com eles todos os dias: o professor. A formação docente é um caminho potente, possível e urgente. E os dados mostram que vale a pena investir nisso.
Se você é educador, continue buscando. Se você é gestor, abra caminhos. Se você é aluno, valorize aquele professor que está tentando fazer diferente.
No fim das contas, todo mundo ganha quando o professor está bem preparado.